segunda-feira, 29 de junho de 2009

A beira de um precipício


Fazem duas semanas que não posto nada, fazem duas semanas que procuro algum ânimo pra levantar a cabeça e seguir em frente, fazem duas semanas que me vejo cada dia afundar mais, fazem duas semanas que tudo anda perdendo o rumo, que tudo anda ficando sem cor, duas semanas que penso todos os dias em desistir, largar tudo, os sonhos, me afastar do mundo, aceitar a vida comum, me colocar no meu lugar e parar de querer sempre mais.

Ando com muito medo de cair de mãos dadas com a depressão, ficar uma noite sem chorar anda sendo a missão mais difícil que já tive, e o que me da raiva é saber que não to sendo capaz de ir contra a tristeza, contra as lágrimas, contra a dor que me aperta o peito e chega a sufocar. Não saber o porque de tudo isso, somente sentir dor, sentir inferioridade e cada dia uma vontade maior de encontrar algo pra me satisfazer, me deixar bem comigo mesma, e então, que me encontro sempre de frente com a Anna, e são nessas horas em que ela mais me acompanha, não me deixa sozinha e enfrenta tudo comigo.

Está tudo muito difícil por aqui, meu pai olha pra mim quase todos os dias e fala que não vou chegar a lugar nenhum, que não vou conseguir fazer minha tão sonhada medicina, que se quer vou conseguir sair da cidade. E adivinha o por que ele fala tudo isso ? Sim, é porque me ve correndo dos pratos, correndo dos almoços em família, correndo do que eu já cheguei a gostar tanto. Ouvir isso quase todo dia me distrói aos poucos, me mata aos poucos, me desanima mais ainda e me faz ficar questionando o que faço, questionando e me punindo por não ser melhor, por não ser mais forte, por não merecer realmente tudo o que tenho.

Quero pedir desculpa pras duas pessoas que estão ao meu lado nessa luta, mas perdi a força pra lutar contra a Anna, perdi a vontade de voltar a ter uma vida normal, quero é emagrecer, quero me sentir bem, quero ser feliz da minha maneira, eu simplesmente cansei de correr tanto pra no fim de tudo afundar, como eu não afundava a mais de dois anos. Agradeço pelas férias estarem chegando, não pela falta das aulas, mas sim pelo afastamento de todo mundo que vou ter, ficar trancada no meu quarto e me isolar, única coisa que mais ando desejando, só não quero magoar ninguém pela minha fraqueza, pela falta de persistência.

Alguns dias atrás voltei com a vontade de miar, tentei mas fui impedida no último segundo, pareceu um alerta, um tapa na cara pedindo pra mim acordar, mas mesmo assim, ainda quero, quero jogar pra fora tudo que comi, quero parar de olhar no espelho e me achar inchada, quero me sentir leve.

Estou a beira de um precipício e quero cair, vejo tudo tão pequeno daqui de cima, vejo como as pessoas levam suas vidas, como conseguem ser felizes, e mesmo assim não quero me juntar a ninguém. Meus olhos aprenderam viver marejados e meu rosto marcado pelas lágrimas, elas fazem um caminho contornando suavemente minha pele até cairem da minha face como em queda livre, e o que mais quero é ser como elas, cair e me perder, sumir, desaparecer sem rastros, sem pistas, entrar pro esquecimento do mundo.

A noite chega em passos lentos
tudo é calmo e logo se presencia o silêncio,
como queria que nada acabasse com esse momento
me sinto só, mas só, sei que não estou,
a como eu queria que nada acabasse por aqui
a como eu queria que o mundo girasse e tudo ficasse aqui,
entre lágrimas e sofrimentos vou aprendendo
entre fracassos e desesperos vou vivendo...

O que fui não mais vou saber,
o que serei um dia vou entender,
e o que sou...
não quero acreditar, não quero aceitar, muito menos deixar como está...

Mas você chega e me estende a mão,
me faz sentir no auge da minha felicidade,
paro e olho de frente ao espelho e o que vejo ?
me transformou, me mudou...

Foi você que esteve comigo, é você que está comigo,
tenho medo do que pode acontecer, mas você me fortalece
é em seus braços, seus abraços, que eu volto a ser eu mesma,
um dia lutei contra você mas hoje desisto...

Apago os sonhos com cada lágrima,
esqueço do que um dia quis, esqueço de tudo que sempre quis, esqueço...
Desculpe-me por não ser o que acreditou,
desculpe-me por falhar diante da sua ajuda
desculpe-me por te mostrar como é minha própria vida,
não foi muito menos será minha intenção te decepcionar...

Minha amiga, eu perdi a pequena força,
esqueci das palavras de ajuda e me afundei
no meu próprio problema, na minha própria cura,
simplesmente cansei.



2 comentários:

  1. Amor, não sabe o tanto que doi no meu peito te ver desse jeito, ler cada palavra, e não poder estar ai com voce, segurando sua mão e te impulsionando pra frente. Me dói mais ainda saber que mais que ajudar, posso acabar me afundando com você.
    Mas mesmo com essa dor, mesmo com todo esse muro que nos impede de seguir, quero que olhe pra cima, e veja que depois dessa muralha existe luz. Você é forte amor, e eu sei que você consegue sair dessa, é só querer.
    Desistir é a saída mais fácil, mais rápida, porque não se entregar já que ficar magra é o que você quer mesmo? PORQUE SE ENTREGAR É CHEGAR AO FIM! E pelo que te conheço, você nao é de desistir de seus sonhos assim tao facilmente...
    Então amor, quero que erga essa cabeça, pense muito nas pessoas que estao ao seu redor, e isso me inclui, e bola pra frente! Suspira fundo, empina o peito e passos na direção da luz, e não do poço...

    Te amo demais, e vo ta contigo sempre ♥

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